
Ronnie Romanini destaca impacto positivo nos atendimentos e reposições, mas alerta para desafios estruturais, especialmente em regras que envolvem VAR.
Campinas, SP, 15 (AFI) – A CBF confirmou a adoção imediata de um pacote de novas regras de arbitragem para o futebol brasileiro. Muitas delas já foram aplicadas na Copa do Mundo de 2026 e agora passam a valer para Séries A e B, Copa do Brasil e Feminino A1. Para entender como essas mudanças podem impactar o futebol amador consultamos Ronnie Romanini, árbitro filiado à Liga Campineira de Futebol.
DINÂMICA E IMPACTO NO AMADOR
Ronnie destaca que as alterações relacionadas aos atendimentos dentro de campo e às reposições de bola são as que devem trazer o maior impacto no futebol amador, principalmente por reduzirem a chamada “malandragem”.
“No futebol amador, essas alterações principalmente ao atendimento do atleta e do goleiro vão trazer uma dinâmica melhor, diminuindo a malandragem dentro do campo de jogo. Lembrando que o árbitro não é médico. A exceção do atleta ficar fora por um minuto é se precisar realmente de atendimento por estar com lesão, como choque de cabeça, deslocamento de ombro, desmaio, entre outras visíveis e de urgência”, explicou.
SEM VAR, ALGUMAS REGRAS FICAM DISTANTES
Sobre os itens que envolvem a checagem de lances, o árbitro é categórico: no futebol amador, a implementação enfrenta barreiras estruturais.
“O item 8 e 9 precisaria de uma estrutura igual à do profissional para fazer cumprir essas alterações. Pode ser que em outras cidades consigam implementar, mas Campinas, ao meu ver, está muito distante de implementar esses dois itens”, avaliou.
AS MUDANÇAS MAIS IMPORTANTES
Entre todas as regras apresentadas, Ronnie aponta o arremesso lateral e os atendimentos como os mais relevantes para o futebol amador, especialmente pelo perfil físico dos atletas.
“O arremesso lateral e os atendimentos são as mais importantes. Vai trazer uma dinâmica dentro do jogo. Como o jogador amador não tem condicionamento físico igual ao profissional, ele usa dessa artimanha para ganhar tempo, principalmente quando o resultado favorece”, disse.
EVOLUÇÃO E NECESSIDADE DE ALINHAMENTO
Ronnie vê o pacote de mudanças como uma evolução, mas ressalta a importância do alinhamento com as federações e ligas locais para que haja uniformidade na aplicação.
“A Liga Campineira, que é responsável pelos campeonatos e tem o seu departamento de árbitros, deve estar conversando para passar aos seus árbitros essas alterações através de reunião para ter uniformidade. Entendo que os campeonatos em andamento permanecem como estão, e os que irão iniciar devem começar com as alterações”, explicou.
Sobre o conjunto de medidas, o árbitro encerra com otimismo. “Toda mudança nas Regras do Futebol para deixar o jogo mais dinâmico e empolgante para mim é de grande valia. Se mudou e não deu certo, pode alterar novamente para melhorar ou retirar das regras”, completou.
CONTEXTO DAS MUDANÇAS
As novas regras incluem limite de cinco segundos para arremesso lateral e tiro de meta, dez segundos para substituições, um minuto fora para atletas atendidos no gramado e a obrigatoriedade de somente o capitão falar com o árbitro. Também há previsão de expulsão para quem cobrir a boca durante discussões, no chamado Protocolo Vini Jr.
A CBF estima que o conjunto de medidas pode representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida. Para o futebol amador, o impacto pode ser ainda mais perceptível em jogos truncados e com excesso de paralisações.


